RESUMO
O presente trabalho analisa a greve dos(as) operários e operárias da fábrica da ALBRÁS
localizada no município de Barcarena/PA, na Amazônia Oriental, ocorrida em agosto de 1990.
A ALBRÁS transforma a alumina que vem da fábrica da Hydro em lingotes de alumínio que vão
para a exportação. A greve explodiu por conta de uma situação objetiva no país de inflação alta
e contra a intransigência do Estado e dos patrões capitalistas (ex-CVRD e NAAC japonesa).
Baseado em materiais bibliográficos, em jornais da época, no acervo da fábrica, e em entrevistas
com operários e dirigentes sindicais, o trabalho evidencia que a greve dos operários da ALBRAS
foi produto de uma situação objetiva favorável à luta dos trabalhadores brasileiros, um ascenso
operário e popular jamais visto após a queda da ditadura militar no Brasil. Analisa também o
quanto a luta de classes se fez presente em todas as suas dimensões nesse movimento, pois, de
um lado, os operários utilizaram métodos radicais de luta, como piquetes, fechamento de acesso
à fábrica, e de outro, a empresa usou a intimidação, a repressão policial e as ameaças sobre os
trabalhadores. O artigo procura mostrar, igualmente, o papel do Sindicato dos Metalúrgicos,
como parte do novo sindicalismo, nesse processo de luta contra uma grande empresa
transnacional como a ALBRÁS. Em tempos de COP-30 na Amazônia é importante que todos
saibam que em agosto de 1990 os operários e operárias ousaram desafiar o poder do grande
capital e sua sede de lucro à custa da degradação do meio ambiente amazônico.